Duplo mortal carpado? Postado em 01/08/2007 10:00.

Dia desses liguei a tv e tomei um susto. Era um programa de uma igreja evangélica, mas fiquei surpreso com o que vi: Uma cantora, cheia de "caras e bocas" e trejeitos cantava uma música até bonitinha, mas o que chamou a atenção foi uma garota que se movimentava ao fundo do cenário. 

Ela estava vestida com um vestido cheio de babados esvoaçantes. Pulava, balançava as mãos e de repente correu para um dos lados do palco. Logo pensei: Deus do céu, será que ele pensa que é a Diane dos Santos? Será que ela vai dar um duplo mortal carpado? Ufa, para alívio meu, ela apenas deu um corridinha, jogando as mãos e rodopiando. E foi aí que descobri: arrá!!, isso é uma coreografia!. Ah ela está dançando! Aê, João, tá aprendendo a descobrir as coisas. Pensei comigo.

Seguindo a tradição masculina, zapeei por todos os outros trocentos canais da TV a cabo, a bailarina tinha saído de cena e agora era a vez de uma banda gospel. O cantor gritava no melhor estilo Daniela Mercury: vamos sair do chão, galera. Se Davi dançou nós também podemos dançar! 

Ironias à parte e para por os pingos nos is, nada contra coreografias ou mesmo dança. Tudo isso é parte de expressão humana e, do meu ponto de vista, não existe problema em si em dançar, mesmo que seja numa igreja. Contudo, a motivação externada na expressão do cantor ("se Davi dançou nós também podemos dançar") foi o que mais me preocupou. Davi, de fato, dançou e até suas "vergonhas" foram vistas (II Sm 6:14-21). Mas essa euforia de Davi não era uma coreografia ensaiada, era fruto da alegria pelo resgate da aliança com Deus, basta ler o texto.

Se a premissa é ter nos cultos crentes (quem têm tido uma perigosa rima com clientes) que se sintam satisfeitos pelo serviço prestado, aí valerá tudo. Afinal, se o freguês não gostar do culto ele não pagará o dízimo, a oferta, e irá para outra igreja que lhe ofereça um melhor serviço. Claro que nem sempre a coisa é tão mordaz assim, mas esse é um raciocínio básico das relações de comércio no mundo capitalista. 

Mas eu fico pensando, porque será que os cultos cheios de coreografia estão se multiplicando nos nossos dias? Seriam estas coreografia resultado espontâneo de um povo que vê dia após dia a aliança de Deus sendo confirmada ou estão apenas repetindo o que alguma igreja fez e teve como efeito o templo cheio de gente? 

As respostas poderão ser variadas, mas sabemos claramente onde deve (ou deveria) estar nosso motivo de alegria. Pense  nisso!

João Inácio

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