Poesias de Amaro Santos da Silva (Santamaro) (2011)

AMAR O   ARTISTA,  ETERNAMENTE... 

Marcus Ottoni

jornalista

 

Amaro de todos os santos, se não,  de alguns tantos, ou mesmo nenhum deles de acordo com sua carioquês de Santo Amaro. Homem de portos e paixões por sete mares e pela multifacetada visão artística de um mundo que se achou no "Big Bang" e será extinto no "Big Crash" para recomeçar tudo novamente, bolha por bolha, pedra por pedra, humano por humano, desastre por desastre... dinossauricamente...

 

Senhor de quase nenhum anel, Santo Amaro faz-se humanóide caleidoscopicamente composto por artes diversas rusticamente inacabadas – como seu próprio tempo – de profundidade cósmica. Ser de muitas palavras  e gestos, homem irrequieto por essência, pode servir-se do mundo bebericando-o em doses homeopáticas, ou sorvendo-o gulosa e interminavelmente através de suas mais variadas formas de expressão cultural. Achá-lo em palavras; longas, complexas, sutis, eróticas, infantis e codificadas, faz do seu logus poético o ser multimídia contemporâneo que brinca e dança como criança e se faz artista plástico, ou dançarino de praça e ruas, de forma múltipla, seja com o que a sociedade inutiliza no seu desvã consumista ou com o som imperceptível que a mente capta e transforma em coreografia performática. 

 

Meta  metade de uma metamorfose constante, ambulante, talvez, mas conhecedora dos limites, não seus – que se revelam infinitos-, mas do mundo que o cerca e o traduz como espiral de misteriosa concepção curiosa e indecifrável. Santo Amaro  transforma,  na simplicidade do seu "fazer como" o que, posto velho, se dirá novo por suas mãos, corpo, pensamento, alma, coração e mente. 

 

Santo Amaro, que não é santo, diga-se de passagem, é muito mais que humano. É energia pura, cósmica de além mundos e, também, de outros mundos abaixo dos mares, das matas e das cidades. Energia acumulada em quase nove décadas de reciclagem  ininterrupta, numa convivência  não tão pacífica com os seus iguais em aparência e forma – e consigo mesmo também-, que se recompõe dia após dia pela criança imortal que habita o interior de Santo Amaro, descobridora do segredo da razão de ser e estar vivo, muito bem  vivo. 

 

Viva Santo Amaro de todos e por  todos os tempos e tempos que já se foram e aqueles que estão por vir. Amar o artista... eternamente....