* Prefácio do livro Niara
 
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Sonhar é uma coisa que me persegue desde pequeno. A cidade onde nasci, seus significados, pessoas e mitos, afloram nos sonhos poéticos que hoje faço. Foi lá onde aprendi que Bonito não é apenas uma expressão do falar. Onde olhei em todas as direções da cidade e vi morros que, como atalaias, cuidavam de cada casa: Um vulcão que transbordava lavas de sonhos no coração de uma gente tão bela. Abel, meu "irmão-pai", soldado com graduação de general, na fortaleza da minha vida. "Seu Bil", músico de uma pequena banda, que tinha uma orquestra no peito. José Telegrafista, meu professor de geografia, ciência, introdução a cinema, poesia, enfim, de tudo que fustiga os sonhos. Graças a Deus, ele ainda insiste em viver nas minhas memórias e atitudes. Todas essas referências sobre minha cidade refletem sonhos que eu não sabia que tinha.

 

Para mim, os sonhos têm sido a porta por onde meus desejos vão embora para virar coisa que a gente pega. Contudo, também existem os sonhos que não pedem licença para serem sonhados. Passam a existir, deliberadamente, engravidando-nos com novos sonhos. Filhos, foi assim. Matheus e Lucas, dois sonhos que não pedi para sonhar, mas que me têm motivado a, graciosamente, largar muitos dos meus sonhos, para que eles também tenham os seus.

 

Durante bom tempo em minha vida, assim como desejou Manuel Bandeira, tive o anseio de "ir embora para Passárgada". Entretanto, sonho maior do que qualquer um com que já pude sonhar e que jamais desejei tê-lo, virou o meu Sonho-dos-Sonhos. Essa história está simbolizada na vida de um povo que, assim como eu, caminha sonhando, rumo a um lugar que preferi chamar de Niara. O lugar onde não mais haverá sofrimento ou tristeza. Onde todos os que sonham caminharão em um caminho árduo, até um dia encontrarem-se consigo mesmos, com os outros e plenamente com Deus.

 

João Inácio