A VERDADEIRA GUERRA DE UM GRANDE GUERREIRO
João Inácio
Existem várias formas de se vencer uma guerra. Uma delas, é quando os guerreiros vão à luta sem sequer indagar se os que ficaram merecem o esforço e a loucura de suas partidas. E quando saem, choram por não saber se a ida é o caminho para um lugar em que não haverá volta. Quando guerreiros saem à luta, alimentam as dores daqueles que ficam e se alimentam dos sonhos daqueles que os enviam. Quando guerreiros vão a luta e vencem, no final da estrada, o que sobra é o sentimento de glória como estúpido triunfo de tantas vidas perdidas.
Um dia os guerreiros voltam. Olhos se estudam, bocas sorriem para os que voltam e para os que receberam alguns de volta. Mães adotam filhos daqueles que nunca viram e irmãos os abraçam forte como se os guerreiros tivessem sempre sido irmãos. De todo sacrifício feito, da dor do guerreiro na luta e da dor dos amigos que ficam, o que sobra é o sentimento de pátria, de irmandade, de união. Assim a história tem escrito sua rotina de guerras e nos ensinam que a guerra é necessária para que haja a paz. Tirar a vida do inimigo passa a ser necessário para que muitos tenham vida.
Mas existe uma outra forma de se vencer uma guerra. Está escrito que um dia um guerreiro foi a luta só, tão só como quem vive sozinho. Testemunhou com dores na carne, que a sua vitória era o esplendor do que muitos chamavam de pura derrota e que ironicamente era o preço a se pagar para chegar ao final da jornada. Lutou só, correu o risco de não ter outras mãos que o incentivassem, que lutassem por ele e com ele. Quando esse guerreiro foi à luta sozinho, no fundo, sabia que o preço da vitória seria a desilusão para muitos. Sabia que para muitos ele seria o oposto daquilo que muitos esperavam. Mas Ele lutou porque sabia que era muito além do que muitos buscavam. E, como um louco que resolve lutar e encarar a cara feia de sua loucura, um dia esse guerreiro foi a luta sozinho. Ele foi, porque cria que seus inimigos mereciam consideração, e foi por isso que ele os encarou sozinho. Tinha certeza que, para que houvesse sinceridade no relacionamento, seus inimigos tinham de ter o direito de não concordar com ele, de bater na sua cara e até de coroá-lo com os cravos profundos do espinho da alma humana. E, por isso, ele deu sangue e suor para que testemunhassem sua derrota nas mãos de muitos. Na verdade, Ele foi um em favor de todos.
Um dia esse guerreiro foi à luta sozinho. Por mim e por você, mostrou que obediência e santificação provocam violência para quem vive por um torto caminho, mas também provoca sons de harpas naqueles que vivem a vida além de um sonho. Um dia, por mim e por você, Jesus veio a guerra como um guerreiro sozinho. Se humilhou até a morte, e morte de cruz. Mostrou que Ele era o amor que tomava forma e que toma forma diariamente no coração daqueles que como guerreiros que vão para luta sozinhos, o aceitam em seu coração.
