* Ensaios
 
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ENSAIOS
(pensamentos quase soltos)
João Inácio
Depois de observar a mudança drástica de uma pessoa próxima.
03/4/96, 20h59
 
Não existe lágrimas no roteiro do orgulho.
Agora sou o que você sempre quis
e você já não me quer mais.
Agora sou o fruto do que você foi um dia
e você insiste em me oferecer um novo fruto.
Nem toda árvore nos leva para vida.
Nem todo vento que vem do oriente
nos orienta para um santo lugar.
 
O melhor local de estar é nas mãos de Deus,
diz os muitos versos que tenho aprendido
O melhor local de estar é onde Deus manda,
diz o passado e os muitos versos que tenho escrito.
Se Deus mandou você para outro lugar,
porque se esqueceu de me mandar junto?
 Eu iria.
 
Brincar de pique-esconde tem limites.
Uma hora até o vento se cansa
de buscar e não achar.
Ssó o amor de Deus tem o fôlego
que nem as águas podem calar.
 
É engraçado brigar sem saber o porque.
é engraçado saber que você quer provar
de um doce que não adocica nada.
Não existe doce do outro lado da rua.
Você atravessou, apesar dos apelos,
e o meleiro está sujando tudo..
 
Melancólica dor são os passos do crescimento.
Deus até parece brincar de se fazer oculto.
Pelo que se fez no passado é que aceitamos o presente.
Pelo que se fará no futuro é que não fugimos da raia
 
Vamos brincar de horizontes.
Brincar como você nunca quis brincar.
Vamos brincar de achar potes de ouro,
sabendo que ele não existe.
Acreditando que existe apenas o arco-íris.
Não insista em fugir de mim,
eu tenho medo de cansar de te buscar
 
Você me pede veneno e eu não dou.
Você então se mata com as próprias mãos.
Morrendo você me mata.
Até parece que você quer que eu também morra.
 
Os traços já estão chegando no rosto,
alguns ferem a pele bem fundo.
Como se lembrassem dos choros de muitas vezes
detalham os cantos da boca
e falam cada vez que a boca fala
e mesmo quando cala.
 
Por sorte, só a morte tira o brilho dos olhos.
Nem o ódio tira o brilho dos olhos.
Eles falam cada vez que os sonhos riem.
 
A natureza insiste em nos trazer cinzas
do pó ao pó, homens e árvores,
brincam de existir ao longo da história.
Ao relembrar as amarguras vividas,
a mente vem, aflora e pergunta:
porque viver em desamor?
 
Triste sina vinda de Adão.
Somos cegos e só vemos o buraco,
o fundo.