* Parte 1 - Primeiras impressões
 
Letra Vídeo Áudio

Duque de Caxias, 09 de Julho de 1979.

SEI QUE AOS QUE LEREM estas linhas, ficarão dúvidas quanto à veracidade, mas aqui vai: daremos datas, locais e nomes que poderão comprovar estas palavras. Quanto a acreditar ou não ficará a encargo do leitor, e não nos preocuparemos com esse detalhe.

A maioria das coisas tem um começo, e aqui não foge à regra. O principio foi em algum dia perdido no mês de fevereiro, deste mesmo ano. As aulas iam começar, a rotina ia continuar e é normal que dois jovens amigos preocupem-se em fazer algo de novo, que preencha o tempo com algum fato diferente. Somos dois adolescentes, eu, José Francisco Monteiro e João Inácio Neto, estudantes de química e com muito espírito de aventura. Certa tarde discutíamos sobre o maior modificador que existe: o tempo

- O que é o tempo, afinal? - perguntou João.
- Em minha opinião - respondi - simplesmente é uma sucessão de fatos.
- E esses fatos ficam perdidos para sempre, desaparecem assim, sem mais nem menos? Afinal, são coisas reais, concretas e como já dizia o titio Lavoisier, nada é criado ou destruído, apenas se transforma...
- Concordo, mas se formos por esse caminho, teremos de chegar a um ponto que prove isto.
- E qual é o fator físico, droga, que acompanha essa sucessão de fatos? Se descobríssemos, talvez pudéssemos ter o tempo em nossas mãos.
- João, só existe uma coisa, que é a essência de tudo que é a matéria, e que nem o tempo pode mudar o seu estado: A luz.

Seguiu-se um silencio entre nós, como se aí estivesse a resposta para as nossas perguntas. Daí por diante, concentramos nossos esforços nesse ponto, pois chegamos a seguinte conclusão: Se a luz segue uma mesma direção, ou melhor, sentido, indefinidamente, o que aconteceria caso conseguíssemos mudar esse sentido para o inverso? Simples: aconteceria O que sucede com um filme rodado ao contrário; Os fatos regrediriam. Até aí nossas conclusões estavam certas, mas não contávamos com um fato que mais tarde nos surpreenderia muito, pois essa regressão influiria também na dimensão das coisas.

E foi assim que nós, dois jovens, tentamos fazer algo que talvez ninguém tenha sequer Imaginado em sonhos. O relato de nossos esforços, tentativas e fracassos consumiriam muito tempo, desnecessário assim. Em resumo, pela manhã nos encontrávamos, rabiscávamos folhas e nos tomamos fregueses regulares de lojas, que vendiam aparelhos eletrônicos usados, consultávamos livros e conversávamos com professores que até hoje não entendem o porquê das nossas perguntas.