D. Caxias, 05 de Março de 1979.
COMO AS HORAS DEMORAVAM a passar, até o momento em que podíamos nos encontrar em uma velha garagem, cada qual com várias folhas com esquemas e bolsas contendo peças que talvez fossem necessárias ao nosso empreendimento.
- Como foi hoje, João?
- Quase me traí, Monteiro. Eu pedi a um amigo, um circuito impresso para o nosso conversos de Luz, e ele me perguntou para que eu o queria.
- E você disse?
- Claro que não. Foi quase. Mas de qualquer forma ele. Iria pensar que fiquei louco, se contasse a verdade.
Esqueça. Hoje tive uma idéia sensacional, e trouxe um desenho para você ver.
Sentamo-nos é mesa, afastei alguns objetos que a enchiam mostrando-lhe uma folha na qual se achava desenhado um circulo enorme e vários outros desenhos no seu interior.
- Este circulo representa uma esfera, no interior da qual poderá ser montados todos os aparelhos de que necessitamos. As paredes, tanto internas como externas são intensamente polidas e refletem luz, e assim, todo o globo pode ser transportado quando acionarmos o inversos luminoso.
- Entendi.
Notei que meu amigo estava silencioso demais para ser aquele sujeito que fazia todos voltarem-se para ele com sua voz alta, que costumava ser.
- Em que você está pensando?
- Nada importante - respondeu - Monteiro, você já pensou em como seriamos famosos se patenteássemos nosso invento? Quem imagina o que pode existir um aparelho que consiga atrair uma coisa tão infinitesimal como um raio luminoso?
- Justamente por não imaginar, ó que ninguém o inventou. Nunca foi tentado a não ser por nós. Quanto a patenteá-lo, eu sou contra, já que depois ficarmos privados de ser também os primeiros viajantes do tempo.
Mal sabia eu que seríamos os primeiros, mas em outro tipo de viagem. Como eu mesmo disse, ninguém nunca imaginou, nem eu... Acho que passamos a ser diferentes de outros rapazes, pois passamos também a namorar fios, válvulas, transistores e coisas que o valham a gastar dinheiro com elas como gastarmos com uma pequena.
Parece improvável, mas nossa maior dificuldade foi criar as paredes do globo, já que elas deviam formar uma esfera perfeita e refletir Luz de modo que elas próprias fossem transportadas, juntamente conosco e nosso equipamento. Finalmente chegou aquele dia.
