Acho que nesses dias de eleição todos deveriam assistir ao filme "Batman - O cavaleiro das trevas". E o que há de especial nesse filme? Simples, apesar de não concordar com algumas propostas feitas pelo paladino, o filme aborda com maestria uma questão bem atual: pelo silêncio dos bons é que os ratos saem das tocas e ganham voz.
Confesso: Há 27 anos trabalho prestando serviços para o governo estadual e federal, e "nunca na história desse país" vi tamanha roubalheira e o triste é constatar que já não existe tanta expectativa de melhoria por parte de muitos. Dia desses ouvi de um porteiro, vou votar no candidato tal. "Eu sei que ele rouba e também que todos roubam, mas ao menos com ele eu posso ganhar uma casa".
Nunca fui de me envolver com política partidária, mas fico triste ao constatar que atualmente os jovens, adultos e velhos dos nossos dias sequer estão refletindo nas conseqüências de um voto errado. Antes, a tônica de nossa sociedade tem sido "como faço para passar num concurso público?". Pois, imagino que inconscientemente pensam, pelo bom salário esperam ficar livres das mazelas que só os pobres conhecem. Por isso quero incentivá-lo em ter uma ação política, sugerindo que você, caso confie e sinta-se confortável para tanto, possa recomendar seu(s) candidato(s) para que outros possam por meio de você ter um mínimo de direção sobre quem escolher.
Certamente você vai pensar nos riscos dessa decisão, mas o seu silêncio tem contribuído para que grupos se organizem e prevaleçam seus intentos, muitas das vezes nem sempre dos melhores para a sociedade como todo. Por isso, eu quero dizer pra você porque voto no Ziller - 43334?Continue lendo »
Dia desses liguei a tv e tomei um susto. Era um programa de uma igreja evangélica, mas fiquei surpreso com o que vi: Uma cantora, cheia de "caras e bocas" e trejeitos cantava uma música até bonitinha, mas o que chamou a atenção foi uma garota que se movimentava ao fundo do cenário.
Ela estava vestida com um vestido cheio de babados esvoaçantes. Pulava, balançava as mãos e de repente correu para um dos lados do palco. Logo pensei: Deus do céu, será que ele pensa que é a Diane dos Santos? Será que ela vai dar um duplo mortal carpado? Ufa, para alívio meu, ela apenas deu um corridinha, jogando as mãos e rodopiando. E foi aí que descobri: arrá!!, isso é uma coreografia!. Ah ela está dançando! Aê, João, tá aprendendo a descobrir as coisas. Pensei comigo.
Seguindo a tradição masculina, zapeei por todos os outros trocentos canais da TV a cabo, a bailarina tinha saído de cena e agora era a vez de uma banda gospel. O cantor gritava no melhor estilo Daniela Mercury: vamos sair do chão, galera. Se Davi dançou nós também podemos dançar!
Ironias à parte e para por os pingos nos is, nada contra coreografias ou mesmo dança. Tudo isso é parte de expressão humana e, do meu ponto de vista, não existe problema em si em dançar, mesmo que seja numa igreja. Contudo, a motivação externada na expressão do cantor ("se Davi dançou nós também podemos dançar") foi o que mais me preocupou. Davi, de fato, dançou e até suas "vergonhas" foram vistas (II Sm 6:14-21). Mas essa euforia de Davi não era uma coreografia ensaiada, era fruto da alegria pelo resgate da aliança com Deus, basta ler o texto.Continue lendo »
Dia desses um amigo enviou um artigo (Um brasileiro frente a frente com a Tsunami - http://br.groups.yahoo.com/group/altomar/message/29402) e me fez a seguinte pergunta: "Já percebeu que os crentes não se manifestaram nessa? pelo menos eu não vi movimento nenhum.". De fato, temos nos especializado em ser "profetas do óbvio" e trucidamos qualquer um que critique nossa liturgia, mas ficamos insensatos às maiorias das mazelas humanas. Pensei e enviei de volta a seguinte resposta:
E o que você queria? Eles são os outros!
Eles adoram outros deuses;
Eles têm outras formas de culto;
Eles possuem a pele diferente;
Eles possuem olhos estranhos;
Eles não vêem as mãos de Deus como vemos.
Eles adoram como vacas, e merecem todo castigo de Deus.
Eles não são gratos a Deus como somos.
E o que você queria? Eles são os outros!
Eles são aqueles que não se curvam ao deus conquistador, tão pregado pelo Bush;
Eles são os que falam em outras línguas.
Elão são os que batizam os filhos imergindo nas águas;
Eles possuem uma liturgia diferente da nossa;
Eles cantam canções que não compreendemos e por isso Deus também não as entende.
Eles são os outros, possuem outros rótulos, e não merecem nossa ajuda.
Sou cristão, evangélico, presbiteriano, e quando escrevi isto apenas pensei na relação entre as denominações evangélicas. Se nós que, pelo ao menos em tese, somos da "mesma casa" nos tratamos assim, que expectativa de ajuda os outros, das outras religiões, poderiam esperar de nós.
Mas Deus é bom, justo, e provê meios para demonstrar seu amor. Mesmo que use apenas "os outros'', enquanto os que julgam não serem outros, são outros, estranhos, aos olhso do Pai.
João InácioContinue lendo »
Legal, enfim temos o dia do evangélico. E agora?
No último dia 30 de Novembro mais uma vez me deparei com inúmeras perguntas de colegas que professam outras religiões: porque hoje é feriado? A resposta vem na ponta da língua: Você não comemora feriados católicos e todos paramos nesses dias? Mas o problema é que essa pergunta, como se fosse resposta, não responde a primeira pergunta e confesso que também tenho minhas dúvidas: porque existe um dia do evangélico? Porque todos têm de parar suas atividades nesse dia?
Por ironia do destino, como era feriado, fui ao cinema ver o belíssimo filme, Lutero, e fiquei pensando no que aconteceu com a cabeça daquele monge para por em risco a própria vida? Sim, Lutero rompeu com as atrocidades religiosas da época, para denunciar a associação espúria entre Estado e religião, e também a manipulação da mente dos incautos por conta das verdades religiosas. Na verdade, Lutero levou sua fidelidade à Deus às últimas conseqüências e, por causa desse ato, que para muitos era pura loucura, toda a história global foi modificada.
O filme transcorria e eu ainda estava em dúvida: porque existe um dia do evangélico? Porque todos têm de parar suas atividades nesse dia? E foi aí que eu me lembrei da explicação que ouvi de um certo pastor: bem, esse feriado serve pra que reflitamos sobre a vida e façamos nesse dia coisas que denotem nossa fé. Yes, que bela resposta!Continue lendo »
"Vamos lá galera do gospel, hora do vestibular para entrar no céu. Sigam-me, em fila indiana: um, dois, feijão com arroz. Três, quatro..."
Ufa! Que alívio é saber que nossas obras, conhecimento, músicas, pensamentos nem qualquer outra coisa pode nos salvar. Apenas a aceitação do sacrifício de Jesus na cruz é que nos redime de todo pecado. Contudo, a Bíblia deixa bem claro que as obras denotam a fé, que o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria, etc. Em outras palavras, forma e conteúdo são duas faces de uma mesma moeda. Não adianta apenas ter uma "forma" de crente. A palavra do Senhor deixa bem claro e aconselha "que o bom servo domina bem a palavra".
Certa feita, conversando com um irmão levita, desses que se dependesse da beleza de suas músicas para ir para o céu certamente estaria ao lado de Deus, ouvi a seguinte frase: - Puxa, João Inácio, se eu pudesse gravar um disco com minhas músicas, certamente iria cantar em tudo que é igreja. Será que ía mesmo? Mas, e daí? Será que existe mais algum sacrifício a ser feito por Jesus, para que possamos aceitá-lo e serví-lo? Quase sempre agimos como que se estivéssemos numa barganha: - Senhor - muitas vezes pensamos - faça isto que eu te darei em dobro...Este princípio de pensamento permeou minha mente por um bom tempo e confesso que é bem difícil se livrar dele. Agimos quase sempre como se Deus dependesse de nós, quando na verdade é bem o contrário. Deus nos ama. Ele não está longe, nós é que nascemos distantes e precisamos da Sua graça para reconciliação, mediante aceitação do Seu sacrifício na cruz. O primeiro passo foi de Jesus, na Cruz, por amor, não por solidão. Achar que Deus depende dos meus dons e talentos para fazer a Sua obra é tão pecaminoso como quanto a tentação do diabo, propondo que Jesus pulasse do monte, visto que Ele era Deus.
Pelo que observamos (e nos incluímos neste bolo), nós, os levitas da "geração gospel", temos entendido muito mais de solos, acordes e melodias prá ensinar que um refletir nos fundamentos da nossa fé. Se Deus tivesse que fazer um vestibular, verificando as virtudes e conhecimentos dos homens para admitir apenas os que sabem tudo da bíblia, certamente a maioria de nós seria reprovada. Agora, se a questão fosse apenas do tipo "qual o nome da banda? Como que eu encadeio esses acordes? Onde nasceu o gospel? Aí a coisa mudaria de figura. De fato, a bíblia recomenda que toquemos com arte. Mas não recomenda apenas isto. Recomenda também que o Cristão deve manejar bem a palavra de Deus. Se considerarmos o tamanho dos Salmos e que estes são músicas, observaremos que algo pode ser melhorado na produção dos cânticos congregacionais. O que muitas vezes chamamos pejorativamente de corinhos, são cânticos espirituais e que lamentavelmente tem seguido a tendência de cair no lugar comum, repetindo sempre os mesmos temas, quando a diversidade de temas na Bíblia é extremamente valiosa.Continue lendo »